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Reforma Tributária 2027: o que todo dentista precisa saber antes de setembro

A reforma tributária muda a carga de impostos da sua clínica em 2027. Saiba o que decidir antes de setembro.

 Ilustração com balança da justiça representando a reforma tributária para dentistas
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5/6/2026

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4 minutos

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Você abre o celular, vê uma notícia sobre reforma tributária e fecha pensando "isso não é para mim agora". A rotina da clínica não para, os pacientes não esperam e esse assunto vai ficando para depois.

O problema é que "depois" tem data marcada: setembro de 2026.

Em parceria com a Capim, Alex Gomes, Jorge Garcia e Cristian Alencar, especialistas em contabilidade odontológica da Nexus, reuniram os pontos mais importantes que todo dentista precisa entender sobre a reforma tributária antes que seja tarde.

O que muda de verdade com a reforma tributária

A reforma tributária não cancela os impostos que você já paga hoje. Imposto de Renda, INSS, nada disso some. O que muda é que chegam dois impostos novos, o IBS e a CBS, que vão substituindo aos poucos o PIS, o Cofins e o ISS.

Na prática, é como se uma camada extra de imposto fosse sendo adicionada à sua operação. Para dentistas, a estimativa é que essa alíquota fique em torno de 10% a 10,6% (serviços de saúde têm uma redução de 60% sobre a alíquota cheia, que ainda não foi definida oficialmente).

Parece pouco? Depende. Se você fatura R$ 30 mil por mês, estamos falando de até R$ 3 mil a mais de imposto todo mês.

Mas aqui está o ponto que muda tudo: diferente do ISS, esse novo imposto permite abater suas despesas. Equipamentos, materiais, protético, aluguel, tudo isso pode reduzir o que você deve pagar.

Ou seja, quem tiver controle das despesas e se planejar direito pode compensar boa parte desse acréscimo. Quem não se preparar vai simplesmente pagar mais, todo mês, a partir de janeiro de 2027.

Setembro de 2026: a decisão que não pode esperar

Se você está no Simples Nacional, tem uma escolha a fazer entre 1º e 30 de setembro de 2026: permanecer no regime simplificado ou optar pelo regime regular do IBS/CBS. O prazo foi divulgado pela Receita Federal e os efeitos valem a partir de janeiro de 2027.

Regime simplificado: tudo segue em uma guia única, sem mudança na lógica atual. Mais simples, mas sem possibilidade de abater créditos.

Regime regular: apuração separada de IBS e CBS, com sistema de crédito e débito. Mais trabalhoso na operação, mas potencialmente mais vantajoso para quem tem despesas relevantes.

Qual é o melhor para você? Depende do perfil da sua clínica: volume de faturamento, tipos de despesa, se você tem dentistas parceiros ou não. Essa simulação precisa ser feita agora, não em dezembro.

Dentista parceiro: o ponto que mais vai mudar na sua clínica

Muitas clínicas têm dentistas que atendem de forma informal, sem CNPJ, recebendo repasses diretos. Com a reforma, isso começa a custar caro.

Se você repassa R$ 50 mil por mês para dentistas parceiros informalmente, está deixando de tomar um crédito de aproximadamente R$ 5.000 todo mês. Por ano, são R$ 60 mil que poderiam ficar na sua clínica.

A lógica é simples: para abater uma despesa, o seu fornecedor precisa estar regularizado e emitir nota. Um dentista parceiro na pessoa física, sem CNPJ, não gera esse crédito para você.

Então a conversa que antes era só comercial, quanto cada um recebe, agora tem um componente tributário. O dono da clínica que entender isso vai começar a exigir nota dos parceiros. E o dentista parceiro que não se regularizar vai deixar de ser atrativo, não por questão de qualidade, mas porque representa um custo extra que o colega regularizado não representa.

Leia também: Como precificar seus tratamentos odontológicos 

Pessoa física ou jurídica: onde você fica mais exposto

Tem uma percepção comum de que quem está na pessoa física "escapa" da reforma tributária. Não é bem assim.

O dentista que opera como autônomo vai continuar sujeito ao IBS e CBS e ainda vai pagar Imposto de Renda com alíquota de até 27,5%, sem as vantagens do CNPJ. Na pessoa jurídica, dependendo do regime, a carga total pode ser bem menor.

Isso não significa que todo dentista precisa abrir CNPJ amanhã. Mas significa que vale fazer a conta, principalmente se o faturamento já está acima de R$ 15 a 20 mil por mês.

O que fazer a partir de agora

Cinco passos práticos para não chegar em 2027 de surpresa:

  1. Fale com seu contador. Pergunte se suas notas fiscais já estão adequadas à reforma. Se você está no lucro real ou presumido, o destaque de IBS e CBS nas notas já é obrigatório. No Simples Nacional, essa exigência começa em 2027.
  2. Simule os dois regimes. Simplificado versus regular, considerando suas despesas reais.
  3. Mapeie seus fornecedores. Quem está regularizado? Quem emite nota? Quem não emite?
  4. Avalie a situação dos seus dentistas parceiros. Eles têm CNPJ? Emitem nota? Isso afeta diretamente o seu crédito.
  5. Se ainda está na pessoa física com faturamento alto, coloque na balança a abertura de um CNPJ antes de janeiro.

A reforma tributária não precisa ser um problema. Mas exige que você pare alguns minutos da correria para entender o que está vindo. Quem faz isso agora chega em 2027 com margem protegida e vantagem sobre quem esperou.

Como a tecnologia ajuda você a se preparar

Como ficou claro durante a live, a reforma tributária não afeta todo mundo da mesma forma. Quem vai sair na frente é quem tiver controle real da gestão da clínica: conhece suas despesas, sabe de onde vem cada real que entra e consegue tomar decisões com base em números, não no escuro.

Esse nível de organização não acontece por acaso. Ele depende de ter as informações certas no lugar certo, acessíveis no momento em que você precisar. É aí que um bom sistema de gestão faz a diferença, não só para a reforma tributária, mas para o dia a dia da sua clínica.

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